
Embaixada da Itália no Brasil
No final do ano de 1958, o Brasil do Presidente Juscelino Kubitschek fez doação de alguns terrenos, todos da mesma superfície (25.000m²), para os Países amigos, a fim de que ali pudessem construir as próprias Sedes diplomáticas.
Em novembro de 1959, o então Ministro-Conselheiro da Embaixada da Itália no Rio de Janeiro, Carlo Enrico Giglioli, escolheu na planta o lote que seria destinado à Itália, cujo ato de doação traz a data de 18 de agosto de 1960.
Foi assim edificada naquele terreno - um dos melhores pela vista para o Lago Paranoá e que na época era pouco mais de um campo coberto de arbustos - a primeira construção simbólica: uma pequena casa para o vigilante.
Não obstante este rápido início, a Itália, como tantos outros Países estrangeiros, não quiseram dar início imediato aos trabalhos de construção da nova Sede; esperaram que o Itamaraty (o Ministério das Relações Exteriores brasileiro) fosse transferido do Rio de Janeiro para Brasília. Tal mudança ocorreu somente em 1966.

O Governo brasileiro havia, enquanto isso, manifestado o desejo de ver as construções das Sedes das Embaixadas em harmonia com o contexto arquitetônico e estilístico de Brasília, o que contribuiria, por outro lado, para expressar o melhor das respectivas arquiteturas estrangeiras.
Foi esta orientação que induziu o então Embaixador Prato a apoiar a candidatura de Pierluigi Nervi qual projetista da nova construção.
De fato, o engenheiro italiano continuava a ser uma das personalidades mais importantes da arquitetura, não somente italiana, mas mundial. A ele já tinham sido confiadas importantes obras, sucessivamente levadas a cabo com excelentes resultados. Todos conhecem, por exemplo, a Sala Vaticana, denominada Sala Nervi, na qual o Pontífice concede as suas audiências semanais ao público, o Palácio da UNESCO em Paris, o Palácio do Esporte em Roma, ou ainda o complexo “Italia 61” em Turim.
A construção da Embaixada requereu notáveis esforços e apresentou vários problemas. Em 1973, o Governo italiano assinalou “luz verde” para o Studio Nervi.
No ano seguinte, em 23 de abril, foi estipulado o contrato com a empresa brasileira “IRFASA”, encarregada da realização do projeto sob a direta supervisão do Studio Nervi, representado em Brasília pelo arquiteto Piacente.
Em janeiro de 1977, a obra foi concluída e entregue ao Embaixador Maurizio Bucci, com o resultado que todos, nos dias atuais, podemos apreciar. A Embaixada é hoje meta habitual de turistas que visitam a capital brasileira, além dos apaixonados por arquitetura.
A Embaixada exprime, de maneira eloqüente, as melhores tendências da técnica da arquitetura moderna que, principalmente com o uso do cimento armado, viu a Itália impor-se a nível internacional.
Desejamos, em especial, chamar a atenção sobre um dos elementos arquitetônicos mais interessantes: as pilastras “quadricúspides” que sustentam o corpo do edifício que forma a Chancelaria e a Residência Oficial, e que confere à estrutura, por si mesma muito pesada, uma excepcional leveza e um sentido de arremesso em direção ao alto. Embaixo, o equilíbrio é enriquecido por uma série de pequenos degraus de mármore branco, apoiados na beirada do espelho d’água, que põe em destaque a leveza da construção sustentada pelas quatro pilastras.
Para equilibrar o efeito escuro do espelho d’água, contribuem o branco do mármore e os reflexos de aço da escultura do artista ítalo-brasileiro Moriconi, intitulada “Núcleo”.

Merecem, pois, um particular destaque os jardins, nos quais se podem admirar contemporaneamente múltiplas variedades de flores e plantas ornamentais provenientes de cada parte do mundo, compreendida a raríssima planta do “Pau Brasil”, enquanto o Flamboyant ostenta a sua coloração avermelhada.
Próximo às palmeiras imperiais desabrocham rosas de todos os tipos e cores. Todo o conjunto é disposto com habilidade e sensibilidade. A impresa local, que definiu o jardim como o mais belo da cidade, não perde ocasião de fotografá-lo e filmá-lo.
Notas legais
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credits | F.A.Q.